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Como amar pessoas e não coisas em um mundo apaixonado por consumir?

Vitória Andrade
Como amar pessoas e não coisas em um mundo apaixonado por consumir?

​O autor Joshua Fields Millburn defende que o nosso bem-estar está diretamente ligado à hierarquia de importância que damos aos nossos bens. Em uma sociedade moldada pelo consumo, ousar nadar contra uma maré trilhonária arquitetada pela publicidade parece um ato de loucura.

​A Engrenagem do Consumo Moderno

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O Ciclo da Dopamina Barata

​O que se forma, na verdade, é um ciclo de impulsos perverso e previsível: a exaustão de uma rotina de estresse é "anestesiada" pelo desejo por dopamina barata. Esse alívio temporário é servido em bandejas digitais — no feed das redes sociais, o grande altar do consumo — e culmina no próprio ato da compra.

​Muitas vezes, clicamos em "comprar" acreditando piamente no potencial salvador daquele objeto, como se um novo eu, mais feliz e completo, pudesse emergir de dentro de um simples pacote.

​A Jornada do Vício Digital

​Toda a jornada é desenhada para nos viciar:

  • ​O rastreio do pedido;
  • ​A antecipação do uso;
  • ​A notificação de entrega;
  • ​O ritual do unboxing.

​Para quem está submerso em uma rotina árida, essa cascata de eventos é um brilho passageiro de euforia. No entanto, minutos após o pacote ser aberto, os neuroestimuladores cessam e o encanto se quebra. Você se vê, mais uma vez, diante de uma rotina desgastante, onde observar a vida editada de outra pessoa no Instagram parece mais seguro e prazeroso do que enfrentar a sua própria realidade. E o ciclo, faminto, recomeça.

​"Nossas posses materiais acabam se tornando a manifestação física da nossa arquitetura interior. O acúmulo visível em nossas casas é, frequentemente, um mapa de nossos medos e sofrimentos."

​Assumindo as Rédeas da Própria Vida

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​A Falta de Estudo sobre Nós Mesmos

​É curioso: um médico estuda anos para cada procedimento; você lê manuais inteiros para montar um móvel ou assiste a tutoriais no YouTube para acertar uma receita; mas raramente estamos dispostos a estudar como organizar a nossa própria rotina para torná-la menos sofrível.

​Se não assumirmos o controle das nossas vidas, outros o farão — e o mercado não costuma ter compaixão pelos nossos sonhos e metas pessoais. Sem esse freio, afundamo-nos em prazos e estresse, aceitando prazeres "patrocinados" e nos desconectando de quem somos e de quem amamos.

​Referências Bibliográficas

​MILLBURN, Joshua Fields; NICODEMUS, Ryan. Ame pessoas, use coisas. Tradução de Carolina Simmer. 1. ed. Rio de Janeiro: Fontanar, 2022.

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